Final do dia veio um pensamento. Um? Não, vários. Pensamentos que refletem e ao mesmo tempo vazios. Pensamentos, é...Apenas eram pensamentos. - Não é tão ruim! Minha mente tentava me confortar. Era verdade, não era tão ruim. Não era o fim do mundo, não de novo. Era o fim daquela pequena paz que havia ficado pra trás. Era só isso. 'Não é tão ruim' concordei acrescentei; mas é ruim o bastante. - Era como se meu subconsciente dissesse "EU PRECISO DE VOCÊ". Porque? Quer saber? Só você podia ser mais importante do que o que eu queria...Do que eu precisava. O que eu preciso é ficar com você, e sei que nunca serei forte pra ficar sem você. Eu to aqui e eu amo você. Sempre vou amar. Fiquei pensando em você, vendo seu rosto em minha mente, durante cada segundo que eu fiquei ausente. Voltei pra trás e lembrei 'não gosto muito de doce, então me delete...'. Isso me magoou com uma intensidade surpreendente, uma dor física, uma facada no peito atirada por você de uma vez só. Continuei pensando. A dor toca e inconseqüente foi muito forte. As lágrimas começaram a encher meus olhos. Te esquecer? A idéia mais absurda e ridícula? Como se houvesse algum modo de eu existir sem precisar de você, do seu toque, do seu beijo, do seu abraço. Eu não posso viver em um mundo que você não exista. A solidão e o silêncio doentio sufocava minha garganta. Ouvi vozes no outro lado do quarto, engoli seco o que estava começando a ficar alto demais pra alguém poder ouvir. Virei de lado, e acendi a luz, permitindo que meus olhos não fechassem pela exaustão do meu dia. De novo “qual a finalidade daquela atitude? O que eu fiz? Porque... porque tão arrogante?” Não é todo dia que agüentamos facadas de alguém que nós amamos, afinal de quantas maneiras um coração pode ser destroçado e ainda continuar batendo? Nós últimos dias, eu tinha passado por coisas horríveis, e uma só palavra mal dita e mal pensada poderia acabar comigo. Contando isso, queria carinho poder ficar melhor pra me sentir mais forte, mas isso ao me deixou como eu queria. Ao contrário, eu me sintia horrivelmente frágil, como se uma única palavra sua pudesse me despedaçar como fez. Olhei para o teto, colocando meu braço direito sobre meus olhos pra que ninguém veja como eu estava. Estava terrivelmente acabada por dentro e por fora. Podre, é desse jeito que eu estava. Sono começou pesar de novo, afinal as lágrimas já corriam há tempos ali, fazendo que meus olhos ficassem cego e deixando meus pensamentos de lado pra poder ir deitar logo. Dessa vez, não resisti. Peguei minha coberta, e me cobri até minha cintura. Calor estava demais, mas mesmo assim, estava sentindo calafrios e arrepios que me dessem um gelo. Fechei meus olhos e senti uma lágrima correr novamente, dessa vez, prestei atenção. Chorei até dormir por causa de você. Seu jeito comigo abria um novo e doloroso buraco no que restava daquela semana em meu peito. O buraco já doía, então porque parar de chorar? Continuei com algumas lembranças, aliás, algumas não, apenas uma que me fizesse brincar com você antes de dormir profundamente. Você comigo dançando She Left Me, deixando eu colocar a mão em seu bolso e ao percorrer da música uma troca de olhar que valia mais do que mil palavras. O ‘te amo’ poderia estragar ali eu e você. Foi assim, meu ultimo dia com você. Algo que é meu, no caso: você. Adormeci pensando nesse ultimo momento, continuei brincando mentalmente com você até que dormi, com as lágrimas ainda rolando devagar por meu rosto que agora era mais do que feio, ou podre. Era simplesmente sem expressão alguma. E até hoje ele está assim. Ele era vazio. Ele permanece vazio.
"Meu coração, pergunta o que é que eu fiz? Eu já não sei ficar tão infeliz..."